Um conjunto raro de filmes em 16mm que registra momentos marcantes da história, da cultura e da vida social de Mato Grosso foi preservado por meio do projeto “Digitalização de Acervos Audiovisuais do Cineclube Coxiponés”. Realizada pelo Instituto Pantaneiras em parceria com o Cineclube Coxiponés da UFMT, a iniciativa foi viabilizada com recursos da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SECEL/MT), via Lei Paulo Gustavo, e marca um passo decisivo na salvaguarda da memória audiovisual do estado.

O acervo, composto por cerca de 75 rolos de filmes em 8mm, Super-8 e 16mm — datados dos anos 1950, 1960 e 1970 — foi encontrado nos arquivos do Cineclube Coxiponés e passou por triagem técnica. Vinte seis dessas películas de 16mm, em melhor estado de conservação, foram digitalizadas por laboratório especializado e catalogadas, garantindo que possam ser consultadas e difundidas para novos públicos.
Coordenado pelas pesquisadoras do GECAS – Grupo de Estudos em Cinema e Audiovisual da UFMT Aline Wendpap, presidente do Instituto Pantaneiras e professora do PPGECCO/UFMT, e Letícia Capanema, supervisora do Cineclube Coxiponés e professora do PPGCOM e do curso de Cinema e Audiovisual da UFMT, o projeto aprovado no Edital N.06/2023 Cinemotion/SECEL-MT – Edição Lei Paulo Gustavo conta com a parceria do LUPA – Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual da Universidade Federal Fluminense. Os vinte e seis rolos de 16 mm passaram por revisão técnica, higienização e digitalização realizadas pela equipe do LUPA, coordenada pelo professor da UFF Rafael de Luna Freire. Todo o processo foi supervisionado pelos professores e pesquisadores da Faculdade de Comunicação e Artes da UFMT Diego Baraldi, Letícia Capanema e Aline Wendpap .
Entre os registros preservados em 16mm estão imagens da visita do governador Fernando Corrêa da Costa a Vila Bela da Santíssima Trindade nos anos 1950, o filme “Marechal Rondon: Patrono das Comunicações” de Amaury Valério, realizado em 1969, diversos acontecimentos sociais e culturais de Cuiabá e outras cidades, como desfiles cívicos, casamentos e bailes de debutantes, além de dois filmes estrangeiros da série “Chroniques de France”, do ano de 1973.
Já dentre os filmes de 8mm e Super-8 há registros históricos do grupo musical Cinco Morenos, da Escola de Samba Mocidade da UFMT e do Grupo Sarã, imagens da festa do Divino em Água Fria, além de acontecimentos artísticos e culturais, como recitais, saraus, espetáculos de balé da cia Aldo Lotufo e apresentações musicais. Todos eles datam dos anos 1970.
A partir do recurso financeiro disponibilizado via edital da SECEL-MT, o projeto priorizou a digitalização dos acervos de 16mm. As bitolas menores, em 8mm e Super 8, serão digitalizadas em 2026, por meio de parceria com o INCT- PresRes, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Preservação e Restauração do Audiovisual. Aprovado pelo CNPq em 2025, o INCT reúne 11 instituições brasileiras, dentre elas a UFMT por meio do Grupo de Pesquisa em Cinemas e Audiovisuais – GECAS, coordenado pela professora Letícia Capanema, também supervisora do Cineclube Coxiponés.
Para as coordenadoras do projeto, a digitalização representa um marco para a preservação do cinema e audiovisual mato-grossense.
“Essas películas trazem fragmentos importantes da história do estado e estavam sob risco de deterioração. O apoio da SECEL-MT foi fundamental para viabilizar sua preservação e permitir que esse material esteja disponível para pesquisa, educação e difusão cultural.”
O projeto também contou com atividades públicas que reforçam seu caráter formativo e de acesso democrático à cultura. De outubro a dezembro, foram realizadas duas mostras audiovisuais — uma no IFMT Bela Vista e outra no Cineclube Coxiponés. Também foram ofertadas as oficinas “Cinema de Arquivo”, ministrada pela professora do Curso de Cinema e Audiovisual da UFMT Sabrina Tenório Luna, e “Audiodescrição”, realizada por Aline Wendpap. As atividades promoveram, respectivamente, práticas criativas de produção audiovisual a partir de filmes de arquivo e a realização de exercícios de audiodescriação, resultando em 5 filmes do acervo com recursos audiodescritivos.
O catálogo dos filmes de 16mm digitalizados pelo projeto está disponibilizado no site e redes sociais do Cineclube Coxiponés (https://shre.ink/5MdR) permitindo que pesquisadores, estudantes e o público em geral possam consultar as fichas técnicas e algumas imagens provenientes dos filmes. O catálogo também inclui uma chamada pública para a identificação de pessoas retratadas, dos filmes e de seus realizadores e realizadoras, já que grande parte dos rolos foram encontrados sem informações.

Com 49 anos de atuação, o Cineclube Coxiponés é um dos principais espaços de difusão e preservação do cinema em Mato Grosso, vinculado à Pró-reitoria de Cultura, Extensão e Vivência da Universidade Federal de Mato Grosso. O projeto de digitalização fortalece sua função como centro científico e cultural de referência e garante que parte importante da memória audiovisual do estado continue viva.
Serviço
Projeto: Digitalização de Acervos Audiovisuais do Cineclube Coxiponés
Realização: Instituto Pantaneiras e Cineclube Coxiponés
Apoio: Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso – SECELMT
Parceria: LUPA – Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual da Universidade Federal Fluminense
Local: Cineclube Coxiponés – Campus Cuiabá da UFMT
Período de execução: janeiro a dezembro de 2025.
Catálogo do acervo de 16mm e outras informações: https://shre.ink/5MdR
Email: cinecoxipones@gmail.com ; pantaneirasinstituto@gmail.com
Telefone: 65 – 3615 8349
Instagram Cineclube Coxiponés: @cinecoxipones
Linktr.ee Cineclube Coxiponés: https://linktr.ee/cinecoxipones